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COMENTÁRIOS CRISTÃOS



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AMÓS E A PROCURA DA LIBERDADE POR DEUS NO SER HUMANO

06-05-2013 22:19
  1. A INSUFICIÊNCIA DOS DILEMAS HUMANOS E AS SUAS RESOLUÇÕES

Amós evidencia nas mensagens proféticas, a necessidade de haver uma resolução dos dilemas humanos, do fazer conforme Deus e, de se testemunhar. Mas Amós, em relação à vida, enfatiza que há mais além do fazer conforme Deus, do dilema e, do testemunho. Existe mais qualquer coisa. A vida não é somente um dilema constante entre a vida e a morte, ou somente o testemunho, ou só o fazer. Quando não se associa Deus a tais momentos, os dilemas entre o bem e o mal no exterior, interiorizam-se no ser humano e, destroem-no. Israel (assim como Judá) presumia-se como abençoado acima das outras nações, como executando fielmente as leis de Deus e, como conhecendo melhor do que outro povo qualquer, a diferença entre o bem e o mal. O que é que faltava ao povo de Deus nessa altura?

  1. DEUS E AS SUAS SOLUÇÕES

Mas será, que só odiar o mal e o bem, é suficiente para se procurar resolver os dilemas? Em Amós 5:1-15, que é um cântico fúnebre, o profeta conjuga-se com o ser de Deus na avaliação do bem e, do mal de Israel e, de si próprio e, nas resoluções com base em relações de semelhança, união e reciprocidade. Não é somente a distinção dos valores, que torna possível a vida humana em Deus, mas acima de tudo o estar com a Divindade. Para não haver confusão, ou prostituição (em que se chama o bem ao mal e, vice-versa), há que permitir a interiorização da palavra, ou seja o do próprio Deus. Como é que isto poderá acontecer? Ou será, que é necessário que isto aconteça? Não será o querer procurar a Deus, o principal sinal da sua constante presença?

  1. O INSTITUCIONALISMO CRISTALIZADO E CONFORMISTA PARA COM DEUS

Porquê que não se tomam as decisões com Deus? Uma das razões tem a ver com a espiritualidade que se institucionaliza sob a forma de religião. As decisões são tomadas de acordo com um figurino já formado, daquilo que é considerado sagrado pelo outro, ou pelo grupo, ou pela sociedade. Há nestes casos, uma obediência cega, sem que não se tome em conta as lutas interiores, as criações de Deus, os novos desafios das novidades em Cristo e, principalmente o procurar após o encontro de Deus. Ou seja, a rejeição para com Deus, pode ser feita, mesmo com as suas próprias palavras e, procedimentos indicados por Deus. Por exemplo, o próprio mandamento de Deus, que diz para não matar o homem, pode servir para matar o ser humano, rejeitando-se os valores, princípios e indicações, que a Divindade dá ao homem, em relação ao homicídio e, principalmente decidindo-se e, agindo-se contra o seu relacionamento e presença. O que falha, ou o que se escolhe?

  1. O EXEMPLO DO PROFETA EM PROCURAR A DEUS EM SI E NO OUTRO

O facto de Amós ser de Judá e, por pregar em Israel levantou suspeitas, em relação aos interesses religiosos e políticos do profeta, para com estas duas nações. Seja como for, Amós exemplificou que respondia a Deus, porque não havia excepções de nações nas suas profecias. Isto é, tanto Judá, como Israel, também faziam parte do grupo que foi repreendido pelas profecias de Deus, expressos pelo profeta. A procura do profeta por Deus, originou por um remanescente no povo, a aceitação do arrependimento e, o aumento do relacionamento para com o Salvador. Mas por outro lado, aumentou o extremar de posições contra Deus, visivelmente demonstrado pelo sumo-sacerdote, da hierarquia eclesiástica em Betel (centro religioso e político de Israel, que apareceu para substituir a influência do Santuário de Jerusalém, desde o tempo do primeiro rei de Israel, quando houve a divisão da nação israelita em duas nações). A procura de Deus em si e nos outros, gera sempre ao redor, estes dois tipos de reacções. Seja como for, Deus ao procurar o ser humano, procura-o individualmente, mas também o faz a nível colectivo, comunitário e, Universal. Assim, o sentido dessa procura, ou o seu reflexo, em quem quer que seja, origina o testemunho, a difusão e, a participação para com e, nos outros. O ser humano por si, não procura Deus, nem muito menos os outros e, desconhece-se continuamente na futilidade, em direcção ao vazio. Só a presença cada vez mais visível, dos convites de Deus, no ser individual e nos outros, é que possibilitam a continuidade deste relacionamento de procura para com o Absoluto, ou o invisível, ou o visível e, para com o próximo. Em suma, a procura vem sempre associada ao convite e encontro com Deus. No entanto a questão pertinente é esta: onde é que tudo, ou parte deste processo começa? Na altura em que o homem, era nada, onde estavam estes elementos de relacionamento? Estas questões são importantes, porque a posição de pecado do homem, é semelhante à situação do nada.

  1. DOS LIMITES DA PROCURA PARA O MAIS ALÉM EM CRISTO

A presença de Deus nunca é imposta e, pode ser rejeitada. O seu perdão, a sua presença e, a sua palavra podem ser recusadas. A sua visibilidade foi espezinhada no Éden (ou paraíso), mas Deus continuou com a sua presença invisível. Esta invisível procura, também tem limites, estipulados pela liberdade humana (proveniente deste dom que Deus determinou em cada um). A liberdade humana pode rejeitar constantemente as criações para a visibilidade e, no sentido da Divindade absoluta da glória e, da perfeição de Deus. Isto é, pode-se chegar a um ponto sem retorno, em que já não existe salvação possível, porque se fez a escolha definitiva no sentido da inexistência, desligando-se totalmente da liberdade, que procura constantemente a Deus. Em suma, no homem pode deixar de haver qualquer tipo de liberdade, ou de procura.

A liberdade humana, que em Deus ocupou a inexistência, pode querer por vontade humana, regressar ao vazio. Esta estranha criação e permissão, tem em Cristo os seus dias contados, tornando possível, que o nada deixasse de ser nada e, se convertesse na incessante criação de Deus. Isto só foi possível, porque em Cristo a Divindade é criadora e, ao mesmo tempo criatura na sua plenitude, desde a sua inexistência, ou nada. O Universo deixou em Cristo de ser um mapa, com buracos negros em direcção ao vazio e destruição, para se tornar num fluido cheio da liberdade de Deus, que encerra potenciais e infinitos seres, a quem é garantida desde a sua génese, a sua constante, ou incessante procura pela Divindade. O nada por Cristo, se tornou na procura infinita e eterna de Deus, no sentido da inexistência do vazio, para o Universo.

  1. A PROCURA INFINITA E ETERNA COM JESUS CRISTO

O buscar a Deus é o resultado dos encontros que a Divindade enceta para com o ser humano, ou universo. A restauração eterna e infinita do ser humano, abordado por Amós no capítulo 9, acontecerá como escolha para a disponibilidade total para o diálogo e, para as criações de ambas as partes e, não somente por parte de Deus (embora este seja sempre a fonte). Esta disponibilidade, nunca pode ser parcial, ou seja, tem de se relacionar com Deus, para aceitar a plenitude da divindade, que influencia a totalidade do humano. Perante o pecado, ou o nada e, Cristo, o que o ser humano procura? Vantagens? Vida? No fundo, perante a vida, o ser humano deveria querer viver, mas considerando também a existência, ou não de contradições e, também contemplando as suas origens, desde o nada com a liberdade de Deus. Só se ultrapassam as contradições, quando se continua à procura do ser que relaciona o passado, o presente e o futuro (ou seja a eternidade). Há aqui uma exortação à inconformidade constante, em que se põe em questão o exterior, por se questionar o interior. Este é também, o tipo de procura proveniente de Deus. Quais são os seus limites?

Na incessante inconformidade, não está em causa a criação constante de Deus em Cristo, mas sim, as oportunidades que o ser humano dá a si mesmo perante Deus e o nada. Esse questionamento, fruto da criação da liberdade existente no ser humano, só encontra eco neste ambiente de pecado (definido pela lei de Deus), na misericórdia e amor Divino (que permite viver com o espírito da lei), que interpenetra a inexistência e, o pecado com a sua disponibilidade. Quando o ser humano anula esse ser de liberdade invisível (que se expressa a partir do Espírito Santo), morre, ou desaparece definitivamente, a breve trecho. A procura da liberdade, pelas criações de Deus, proveniente desde a criação no Éden e, na vida, morte e ressurreição de Cristo e, que não foi totalmente desligado do seu criador, é o único elo que continua à procura de Deus, para a sua eternidade infinita e, perfeição gloriosa, que terá uma nova revelação visível, aquando da segunda vinda do Salvador. Depois, é continuar à procura, ainda com mais intensidade no mais além sem fim e, na eternidade fora, na companhia desafiadora, exploradora e, criadora de Deus para consigo (em cada indivíduo) e, no Universo. É a plenitude e totalidade da infinita e, eterna procura da liberdade de Deus pelo ser humano, na Divindade e humanidade criadora de Jesus Cristo.