Pode-se conhecer a criação? Como terá sido? Ainda continua? Qual é a sua relação com Cristo e a redenção? O que tem a ver com o quotidiano e, o futuro? Quais são os aspectos importantes para o ser humano?
- CONTRADIÇÕES: O UNIVERSO COM INÍCIO E A TERRA SEM INÍCIO
Uma das questões importantes e, que a Bíblia se refere, é sobre a capacidade de Deus criar, a partir da inexistência material. Isto significa, que Deus é também energia, pois já é demonstrável que a energia pode originar a matéria, seja ela qual for. No entanto, não parece, que este tipo de criação, seja só dependente da energia, para que tenha sido conduzida na direcção do universo conhecido, das galáxias, dos planetas e, das estrelas. E, o mesmo se passa em relação à sua constância no funcionamento e, na ordem, convivendo às vezes com o aparente caos.
Se é ligeiramente pacífica, a questão da grande criação a partir do nada (a ciência defende a formação a partir do Big Bang) e, que teve um começo, o mesmo não se passa, em relação à criação dos seres e, elementos do microcosmo, como a natureza e, o homem. Note-se, que há várias interpretações do que se passou no Big Bang e, o que se destaca aqui é a conversão de energia em matéria e vice-versa.Há autores que também defendem para além desta possibilidade, a existência de matéria concentrada. Parece ser evidente, que tanto a matéria como a energia estavam em constante equilíbrio. Em relação a este aspecto, se instala a discussão, defendendo-se que tal passagem a partir do nada, não é possível na Terra e, que tal se deu com os passos da evolução a partir dos elementos formados no macrocosmo, que gradualmente foram originando o mundo e, o universo em que se existe hoje em dia. É contraditória esta teoria, quando para a formação do macrocosmo se acredita na formação repentina e explosiva e, para o microcosmo só se aceita a formação gradual e progressiva com base em caóticas combinações entre elementos, ou em alterações fortuitas e vantajosas.
Para a Bíblia, não é só uma questão de ordem e funcionamento, mas principalmente de relacionamento, entre quem possui a tal energia e, possua características próprias e, os seres que foram formados. A criação, ou o início são fundamentais para esta relação, quando se progride, ou se questiona nessa direcção, para facultar certeza e, inspiração para os acontecimentos do quotidiano e, para os que vão acontecer no futuro.
- SABER QUESTIONAR PERANTE A CRIAÇÃO
Perante a criação, é importante questionar, não só, sobre as relações entre Deus e a sua criação, como também evidenciar o relacionamento entre os seus elementos e criaturas, em pleno funcionamento e estruturação. A visão do todo é evidenciado pelo ínfimo e, vice-versa. A criação não é somente o seu início perfeito, mas é também as suas dependências do ecossistema e, as suas progressões com o sentido de integração da diversidade e, dos inúmeros descendentes mas, nunca de exclusão pela lei do “mais forte” e, da “sobrevivência”. Se existem desequilíbrios é necessário reconhece-los, não somente como disfunções mas, principalmente perceber as causas de tais eventos e, as formas de possibilitar as sua inclusão. No essencial, a criação é uma extensão do relacionamento espiritual definido nas parábolas e analogias bíblicas e, vice-versa.
No essencial, houve uma quebra no relacionamento a partir das suas criaturas, para com Deus e a criação em si, mas a Divindade na sua misericórdia revelada em Cristo, ainda continua a influenciar materialmente a Terra com as suas dádivas, bençãos e providências. O saber ler o que a natureza é, inclui também as perspectivas espirituais. Ou seja, ou se acredita na criação, como um todo, incluindo o espiritual, ou se entra na contradição de a espartilhar em fatias conforme os interesses de cada doutrina, mesmo que da científica se faça tratar. A criação tal como ela é, não se contradiz nos seus inícios, nos seus processos e, no seu futuro no mais além, quer a nível geral, como a particular e, relaciona tudo e todos, no sentido da integração ao longo do tempo à medida, que cada área vai progredindo em qualidade e quantidade, ou mesmo quando sejam geradas novas áreas.
- A CRIAÇÃO PELA PALAVRA
Aparentemente a ciência, não parece estar interessada, em detalhes do processo entre a energia e o início, mas para o cristianismo o interesse é total em relação à palavra que deu início à transformação da tal energia em matéria e, em seres vivos. A Bíblia refere em Salmos 33:6 e 9, que pela palavra de Deus, se fizeram e passaram a existir os elementos e, os seres vivos. A questão, que interessa para o crente (que é também um ser multidimensional), é se esta palavra ainda continua a criar, a nível do micro e do macrocosmo. Em Jeremias 15:15-16 é referido, que este crente perante as palavras de Deus, estas foram “comidas”, significando que continua a haver dependência, entre as criaturas e a palavra.
O relacionamento entre as palavras, que criaram os elementos e as criaturas vivas, mantem-se a vários níveis. Assim em relação ao ser humano, as palavras aceites em liberdade no interior e exterior humano, criam constantemente novas relações nas suas criaturas e elementos. Assim para a Bíblia, a criação, o universo e, o mundo não são somente o resultado de probabilidades no caos do que já existe, ou da energia que facultou o início, mas são acima de tudo uma continuidade de criações constantes e perfeitas, a níveis diferentes em que a palavra de Deus dá a escolher ao ser humano, se a aceita em coexistência, ou não. As respostas enveredadas, têm sido antagónicas e, o mundo é o resultado controverso e, conflituoso destas duas escolhas para com a palavra, ou seja, para com a criação.
A criação não é somente uma questão material, mas também inclui as palavras e, as suas ligações desde o infinito onde existe a "tal" energia e, a fonte de tudo o que é substância e, as sua interacções com novas criações. Mas será que a criação, provêm, mantem-se e, incessantemente continua, somente a partir da palavra solteira? Serão as palavras por si só seres com vontade e carácter, que conseguem ter decisões no sentido de criar o Universo (ou universos), galáxias, dimensões e mundos? As palavras a nível humano, podem ser vistos somente como meros instrumentos, que cada vez mais revelam o que é desconhecido. No entanto, as palavras também podem ser aceites na sua plenitude e, na sua integridade, em conjunto com o ser infinito e eterno, que as originou. Entra-se na área da sobrenaturalidade.
As opções para a sobrenaturalidade são múltiplas, mas o critério é simples, atendendo ao conhecimento que se quer ter acerca das mesmas, de acordo como foi abordado anteriormente. Como conjugar todas estas realidades a nível sobrenatural, considerando o conhecimento para o desconhecido e vice-versa, assim como o sentido do simples e do complexo? Note-se que há um pressuposto importante e que é o seguinte: o homem veio para ficar no seu todo. Se foi criado como criatura, não foi para desaparecer, mas para ser eterno, aceitando as palavras de verdade, amor e concretização, convivendo na semelhança dos seus autores e, progredindo na multidimensionidade originada nos seus criadores.
Vejam-se alguns exemplos. No oriente há a opção de evidenciar os acontecimentos materiais, mais propriamente os biológicos e físicos, nas suas transformações, ligando-os aos ciclos de reencarnação, em que o ser humano se integra nesses ciclos que são deificados, que levarão o ser humano (quer queira ou não) a um dia, a se libertar sob a forma de uma divindade, ou incorporando uma grande divindade. Não se está aqui, a entrar em juízos de valor, mas somente a evidenciar as opções a que cada ser humano tem, para escolher o tipo de relacionamento sobrenatural. O que se evidencia essencialmente no oriente, é que tanto a Divindade como o ser humano são essencialmente distintos, ou então há um que se submete a outro, tendo como intermédio as leis de causa e efeito da natureza. Será esta forma do desconhecido ser conhecido e vice-versa? Não, porque, ou ambos se conhecem independentemente por serem e continuarem distintos, ou então, não há nada a conhecer, porque um foi completamente absorvido pelo outro. Para além de todos estes aspectos, o que se denota é também, a apetência por fazer desaparecer o homem, ou a humanidade tal como ela é, em vez de a melhorar a partir dos seus aspectos negativos, tais como a morte e o sofrimento.
Quando se vem mais para o ocidente, evidenciam-se mais as opções monoteísticas, o materialismo, o culto à pessoa, o individualismo e, o espiritismo. Já se começa a ter mais importância o ego humano e, os seus relacionamentos com o sobrenatural. Assim o sobrenatural, ou toma a forma extremada, ou do ego, ou do material, ou da pseudo imortalidade da alma, ou da divindade, sem haver a conjugação dos vários elementos em que o ser humano se encontra e, muito menos, sem se dar o conhecimento progressivo do que é desconhecido, com os sentidos do complexo e do simples. Há também uma tendência para o desaparecimento humano, com base no conformismo para com a morte material, ou na crença na pseudo imortalidade da alma. No caso do espiritismo, o conhecimento do desconhecido será uma impossibilidade, por serem formas deslumbrantes de nada, isto é, nunca se conhece o desconhecido que inexiste, sob a forma de falsidades, ou de falácias.
A opção bíblica é só uma, para a resolução destes vários critérios: o ser humano só é constantemente pleno e eterno, quando aceita a criatura de Deus que é, mas que se vai assemelhando continuamente à Divindade e, convivendo na sua multidimensão originada nos seus autores. Só desta forma o ser humano consegue conjugar sempre as várias realidades, ou criações que o rodeia e, ao mesmo tempo se vai aproximando cada vez mais de Deus, mas sem deixar de ser quem é (assim como o própria Divindade) e, ao mesmo tempo vai progredindo no conhecimento do desconhecido, do mais simples para o complexo e, vice-versa. Isto significa que há uma transformação do ser humano, à semelhança de Deus. A questão importante é esta: como se dá a semelhança, que possibilita ao mesmo tempo a conjugação dos vários elementos que constituem o interior e exterior humano, assim como, o conhecimento do desconhecido e, os seus sentidos de complexidade e simplificação? Só através da palavra no seu esplendor, que concretiza e, continua com a criação com tudo e todos. Essa palavra é Cristo. Isto significa também, que a sobrenaturalidade não é só a palavra. Esta, é constituída por uma unidade de 3 seres igualmente sobrenaturais, mais conhecidos por Deus Triúno, que originam nesta triunidade, triunicidade e, triigualdade, a multidimensionidade humana, em que a palavra, que é Cristo, é também a acção que realiza, mantém e, continua com as criações.
- A PALAVRA EM CRISTO NAS CONTÍNUAS CRIAÇÕES E NA ENCARNAÇÃO
A revelação de Cristo, como palavra e acto do Deus Triúno, foi expressada espiritualmente e materialmente em Israel e, actualmente em todo aquele, que acredita não somente na existência sobrenatural do Filho como sobrenatural, assim como na sua encarnação, vida, morte e ressurreição.
Em Cristo, o que se evidencia, no relacionamento da divindade e da humanidade, é a contínua criação, que se expressam em novos e contínuos acontecimentos materiais e, humanos, desde que o humano aceite a palavra, que concretiza a criação. Na encarnação de Cristo, a palavra sobrenatural, se esvazia no seu poder e, se concretiza no humano em coexistência com a Divindade, conseguindo transformar o caos e, o vazio de destrutivas imperfeições (mais conhecido por pecado) em vida eterna. Só desta forma se torna possível, a transformação para as contínuas criações provindas da eternidade, de quem sem esperança (o ser humano) escolhera ser nada. Em Cristo, revelou-se não somente a verdade daquilo que é o relacionamento entre Deus, o material e o humano. Ou seja, a vida humana só se mantém se houver contínuas criações, desde o sobrenatural até à humanidade inserida num ambiente e, Universo. Através de Cristo possibilita-se a escolha em liberdade da aceitação, ou não da constante Criação. Assim, em Cristo se revela a capacidade do Deus Triúno, em se esvaziar dessa transcendência, para ser como as suas criaturas na visibilidade perfeita e, também na morte de cruz, para as poder criar e mantê-las desde a inexistência, em conjugação e transformação com a unicidade, unidade e igualdade dos restantes elementos da Divindade.
Deus Filho em ligação com o Pai e o Espírito Santo, aceitou a criatura perfeita e, também o pecado de todos, para salvar o ser humano que acreditasse na criação constante, infinita e eterna, através da sua palavra, encarnação, morte, ressurreição, intercessão, juízo e, eternidade do seu reino na nova Terra. Através de todas estas acções, Deus filho respeita a liberdade e, as especificidades distintas dadas às suas criaturas, ou assemelhando-as, ou diferenciando-as, ou separando-as do Deus Triúno. Assim para quem aceitar (fé) a palavra em Deus Filho e, a sua humanidade, este concretiza a união em si e, no crente na criação eterna de semelhança, entre o humano e a Divindade, através da interiorização e exteriorização da sua encarnação, vida humana, morte, ressurreição, intercessão, segunda vinda, juízo e, vida eterna.
Deus filho conjuga transcendentalmente a Divindade e a humanidade em si, tornando visível para as suas criaturas a glória das relações com Deus, o próximo, o ambiente e o Universo pelos mandamentos, para as unir pela semelhança do Divino Triúno. Assim, a transformação humana, à semelhança da unicidade, unidade e igualdade do Deus Triúno, só é conseguido na sua plenitude, através do Deus Filho, que é também o Filho do Homem, em associação com Deus Espírito e Deus Pai. Qualquer ser humano, tem a oportunidade de o aceitar, ou não, na liberdade das suas criações, pela fé na visibilidade e testemunho da palavra, que possibilita, ao mesmo tempo a adoração de Deus Pai e, a transformação invisível por Deus Espírito, a partir dos seus dons, ou dádivas interiores e exteriores, em plena felicidade eterna numa Terra em constante criação.
Em Cristo a criação mantem-se incessante e progressiva no mais além. Mesmo perante a morte no homem, é dada a oportunidade de nova vida pela fé na vida, morte e ressurreição de Cristo, tal como acontece no macrocosmo em que Deus é também a criação do caos e, da inexistência. Em suma, a criação pode ser definida como um gradualismo, desde a palavra, ou proveniente de Deus, ou tendo como fonte o caos. O ser humano tem a liberdade de acreditar, se a energia é disponibilizada por uma das sobrenaturalidades referidas, ou seja, ou acredita em Deus, ou noutro tipo de Divindade. Pode-se também acreditar, que a vida é somente uma conjugação de elementos existentes, que probabilisticamente se combinam, originando o mundo existente. Ou então, crer que houve também a passagem, do caos para uma vida organizada, funcional e viável do mundo através da palavra de Cristo e, continuada com progressões em que as palavras humanas combinadas com as divinas criaram novas vidas, mesmo depois de se escolherem as destruições. Isto significa também, que estes ciclos, ou se acredita que continuarão da mesma maneira, em que o caos dita as suas regras de destruição, ou a divindade absorverá totalmente o que é humano, ou o futuro será no sentido em que o ser humano, existirá em coexistência com a Divindade, tornando-se cada vez mais semelhante a Deus, mas sendo cada vez ele próprio, conforme Cristo exemplificou na sua vida, morte, ressurreição, intercessão e vinda gloriosa. Assim, a vida na Terra, para os crentes cristãos, torna-se cada vez mais em liberdade com a justificação e santificação (aceitações contínuas de Deus na vida humana a partir dos actos e palavras de Cristo no interior e exterior humano, a partir do arrependimento, confissão, perdão e nova vida), que permitirão infinitas e eternas criações com o Messias.