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COMENTÁRIOS CRISTÃOS



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JONAS, A DISCRIMINAÇÃO E, A CONTINUIDADE DO TESTEMUNHO COM DEUS

09-05-2013 01:54
  1. PROFETA OU REPRESENTANTE DO POVO ISRAELITA

 Perante os erros espirituais de palmatória dos israelitas, Jonas como profeta, deveria ser mais representante de Deus, do que do seu povo, para que a este fosse dada a possibilidade de se transformar à sombra do altíssimo. O que significam os acontecimentos de Deus com Jonas?

 Abordar Jonas é focar em primeiro, a criatividade humana individual e societária, desfasada das criações activas e salvadoras de Deus, para com o Universo. Em segundo, a história de Jonas é a aceitação humana, da criativa misericórdia de Deus. Entre Deus e o ser humano, quando há entendimento, quase sempre não é à primeira, que tal acontece. O amor de Deus não desiste, mas encontra formas que vão mostrar ao ser humano, as contradições dos seus juízos, que se mostram enganadores, falaciosos, estereotipados e, mortalmente discriminadores.

 Jonas não é do tipo individualista. Ele é a demonstração daquele género de indivíduo, que embora não aceitando o estado de degradação espiritual, social e material de Israel, continuava a pensar de forma errónea sobre as causas de tal situação, por ser extremamente preconceituoso. Ou seja, Jonas representava uma grande parte do povo, que estava preso nas garras do puro preconceito e, que permitia o mal se espalhar sob a capa de um etnocentrismo naife, mas bastante fanático. Para ele, o seu povo era o escolhido, mesmo que estivesse contra Deus que o escolhera. Incrível, aonde chega a ideologia religiosa, que transforma a relação espiritual numa autêntica fraude, que pode derribar todo um povo. Enganam-se as interpretações, quando vêem Jonas, como rancoroso, mesquinho e, não como um representante de uma cultura religiosa, que discriminava o testemunho e a conversão de outros povos, como sendo uma ideia abjecta, que no entanto representava o carácter universal de Deus, para com todos os seres humanos criados à sua imagem e semelhança. A pergunta de Cristo sobre o próximo (“quem é o meu próximo”?)  e, a sua declaração sobre o juízo (“A um destes mais pequenos que fizerdes, a mim o fizestes”), continuam pertinentes e, actuais no caso de Jonas

Em suma, o desafio continua actual e, é o seguinte: a relação com Deus, é também a relação com o próximo no universo. Com Jonas, Deus desafiou-o, como seu profeta e, como representante de um povo preconceituoso, para embarcar numa viagem, em que conheceria o verdadeiro significado do universo da criação e salvação da Divindade. Será que às vezes, não se ouve nos corredores das igrejas, discursos a diferenciarem “o mundo” e, a “Igreja”? Não se levantam nestas ocasiões, os mesmos desafios que se levantaram no tempo de Jonas?

Levanta-se também aqui, a seguinte questão complementar: o que pode ligar um ser humano a outro? Não é suficiente a declaração imperativa, da vontade e carácter de Deus, que proclama de forma distinta a universalidade da criação e, a sua salvação por Cristo. Como é que uma inimizade em Cristo se torna em amizade? Jonas aceitou a universalidade, após conhecer o nada e a ressurreição, na barriga do ser marinho que o tragou e, depois de ter contemplado a misericórdia que origina a nova vida em Nínive. No entanto, faltava-lhe o passo mais importante, que consistia na maior dádiva do amor, que é estar no lugar do outro e, de Deus ao mesmo tempo e, aceitar as constantes criações, no contexto do perdão. Isso, só aconteceu com Jonas no crescimento e morte de uma planta, que foi comparada à população de Nínive.

Jonas é também os exemplos, ou de quem ouve a Deus e, que fazem as coisas à maneira do seu povo, ou dos que quando parecem ouvir e aceitar, só fazem somente o que lhe é designado formalmente. Seja como for, Deus não desiste do ser humano, mas vai continuamente transformando-o à sua imagem e semelhança. Jonas em vez de ser o inconformista de Deus, mostrou que pertencia a um povo refilão e, depressivo, que só queria reivindicar bênçãos sem deveres, deixando os outros para trás na miséria do pecado. O mais interessante de tudo isto, é que o povo iníquo, que à partida não havia esperança para ele, deu um testemunho de repreensão a Israel. O povo que à partida era discriminado e desprezado, no final deu o verdadeiro testemunho ao mundo, ao Universo e, a Israel acerca de Deus. Em todos os momentos da vida de Jonas, sempre houve do próximo, testemunho acerca do Deus Triúno.

 Pode-se dividir as decisões de Jonas em quatro partes e, que são:

  • Fuga de Jonas.
  • Testemunho num barco e o primeiro arrependimento de Jonas.
  • Pregação de Jonas.
  • Testemunho de Nínive e o provável segundo arrependimento de Jonas.
  1. A FUGA E O PRIMEIRO ARREPENDIMENTO DE JONAS

No primeiro e segundo capítulo do livro de Jonas, perante a situação degradante de Nínive, Deus chama o seu profeta para a missão de anunciar o juízo ao povo desta cidade. Não aceitando tal missão, Jonas apanha um barco para Espanha (região de Sevilha), desviando-se completamente da vontade de Deus. No meio da viagem há uma tempestade, a que Jonas tenta ignorar, mas perante as sortes e, a insistência da aflição de todos os embarcadiços, o profeta vê-se obrigado a testemunhar da sua profissão, da sua nacionalidade e, dos objectivos apontados a ele por Deus. Para solucionar o problema da tempestade, Jonas oferece-se aparentemente em sacrifício, em prol dos outros, aconselhando e aceitando que o lancem ao mar. Quando tal aconteceu, Jonas foi tragado por um monstro marinho, que o transporta no seu interior, durante 3 dias até ao momento do primeiro arrependimento, oração e louvor a Deus de Jonas. Durante esses momentos, Jonas foi posto sózinho perante Deus, despido dos seus estatutos sociais. O profeta nesse momento, pode ver que o ser humano na sua essência e, vida depende de Deus, mais propriamente da sua misericórdia. Jonas no interior do ser marinho, contemplou toda a ideologia fixa somente nas doutrinas da lei, do juízo e, da escolha do povo de Deus, caírem por terra perante o caos, o pecado e a misericórdia de Deus. Jonas aprendeu que a espiritualidade, não significava somente dois ou três pontos, mas uma multiplicidade e fluidez de pontos com base na misericórdia e verdade de Deus, que formam todo o universo, incluindo a diversidade das suas criaturas racionais.

 Por parte de Jonas, é muito estranho esta situação de sacrifício, em prol de estrangeiros. Porquê que Jonas, foge da missão de socorrer um povo (de Nínive) com a misericórdia de Deus, sem que isso leve a qualquer tipo de sacrifício, mas no entanto aceita morrer por estrangeiros num barco prestes a afundar, com a contrapartida de mostrar que o povo de Israel adora o verdadeiro Deus? A resposta parece ser de novo o problema de sempre: Jonas nesta situação estava a distinguir o povo de Israel acima de todos os outros. Assim no barco em plena tempestade, a conversão dos estrangeiros acontece, não porque Jonas tenha querido testemunhar de Deus, mas devido a ter destacado Israel acima de todos os outros deuses. Jonas era um israelita, preparado para seguir a Deus, desde que fosse feito no seio do povo de Israel e trouxesse vantagens sobre outros povos. O acto de Jonas foi um acto semelhante a um suicídio, devido ao dilema intenso, entre o ser fiel ao seu povo, mas não sabendo resolver o problema maior que era a situação interna de Israel, que rejeitava a Deus, e que ele a aceitava implicitamente. Este dilema espiritual sem solução, foi resolvido dentro de um monstro marinho. A solução para aquele momento estava só no testemunho. E quando Jonas é despejado na praia, tinha aceite em primeiro a Deus, não somente como Israelita, mas como ser humano, que testemunha a todos sobre a sua experiência. Mas será que esta conversão iria suportar a prova do encontro com os iníquos assírios? Seria esta conversão genuína, que possibilitaria a transformação entre os assírios e Jonas, à imagem e semelhança de Deus? 

  1. PREGAÇÃO DE JONAS, O TESTEMUNHO DE NÍNIVE E, O PROVÁVEL SEGUNDO ARREPENDIMENTO DO PROFETA

 O capítulo 3 e 4 do livro de Jonas, relata o testemunho dado na cidade de Nínive, o arrependimento do povo, o gozo do profeta na contemplação dos eventos futuros da cidade iníqua (que se arrependeu de forma rápida) e, finalmente a provável nova conversão deste homem de Deus.

 O testemunho de Jonas fez com que a população aceitasse a Deus, com base na misericórdia. No entanto, perante estes novos acontecimentos, Jonas quis assistir ao espectáculo da destruição e, não de juízo deste povo. Mais uma vez, Deus através de uma aboboreira, conseguiu provavelmente convencer que não bastava somente testemunhar, mas havia necessidade de Jonas se pôr no lugar de Deus e dos outros, para aceitar não só a verdade dos actos dos seres humanos perante a lei de Deus, mas também o seu amor, expresso em Cristo, na sua vida, morte e ressurreição (que era difundido amplamente pelo Santuário em Jerusalém), que possibilitava viver a lei com o ser divino no seu interior. Não é suficiente dar somente um passo com Deus, quando este convida ao ser humano interiormente e, exteriormente para caminhar incessantemente em conjunto com a Divindade criadora, todo o próximo e, o universo. 

  1. A PROVÁVEL CONTINUIDADE ETERNA DE JONAS COM DEUS

 Será que Jonas continuou a exercer a liberdade criativa com Deus? Ou será que um dia, rejeitou os ensinos preciosos provindos da Divindade? Será que quis ficar com os povos do Norte? Ou será que depois voltou para Israel? Ou será que viveu num dos dois lados da fonteira entre Israel e Assíria e, ia testemunhando de um lado e do outro, sobre o alcance espiritual em Cristo, da sua difusão ao mundo e, ao universo?

 O livro de Jonas não têm um final feliz, mas deixa o leitor a imaginar o que teria feito Jonas a seguir. Fica a pergunta: o que teria eu feito se fosse Jonas? As minhas respostas são das três uma só: ou ficaria a viver na Assíria com aquele povo, com quem tinha feito ligações muito fortes e, de vez em quando viria a Israel, ou vice-versa, ou então iria alternando conforme as oportunidades. Seja como for o exemplo de Jonas, é o exemplo de muitos cristãos, que testemunham, não por uma igreja, mas porque Deus lhes falou directamente ao seu coração, para que aprendam com o testemunho dos outros, assim como os outros aprendem com o seu testemunho sobre Jesus Cristo, o Espírito Santo e, Deus o Pai. A relação com Deus, faz-se por degraus em que se alternam momentos de encontros com a Divindade, seguidos de testemunho a outros, em que se partilham mensagens e actos recíprocos, entre os dons diversos dos indivíduos, provindos do ser Divino.

O reconhecimento da Igreja, não é somente uma operação humana, mas é principalmente a presença de Deus no meio do seu povo. Cada vez mais, o testemunho não se confina ao exíguo espaço de uma barraca, ou de um espaço limitado pelo ser humano, mas é fruto do Espírito de Cristo num mundo global, ou universo e, abrange a tentativa gloriosa de transformar os outros, à imagem e, semelhança de Deus. À medida que se caminha para o juízo final, o testemunho genuíno, é aquele que identifica a vida, morte e ressurreição de Cristo em cada um, na direcção (e vice-versa) do outro e, da criação visível, eterna e infinita de Deus.