1. AFINAL O QUE SIGNIFICA O SÁBADO?
Suponhamos que Deus, não se encontrava com o homem, durante aquele momento que designou de sábado e, que continuava a criar incessantemente, como sempre faz. O que aconteceria? Simplesmente a criação se converteria para todos, naquilo que é e, que será, para aqueles que não o aceitam como criador, ou seja, esmagaria e reduziria a pó, tanto pessoas como elementos, que não conseguem acompanha-la na sua constante, dinâmica e, sequencial progressão. Mas então, qual é o significado do sábado, a que Cristo diz ser o Senhor e, que foi feito para o homem e, não ao contrário?
Ver somente o sábado, como um momento de paragem e, de descanso é conformar-se a uma semana, que se repetirá, naquele ritmo cada vez mais limitado e, redutor que não traz mais nenhuma novidade, a não ser a de que uma semana vem a seguir a outra, à espera de um Deus, que se limita a ordenar o homem a uma cadeia cronológica, à espera de uma nova terra, em que não se adaptará ao espírito do sábado que lá existe e, que foi ensinado por Jesus Cristo. O que aconteceria, seria semelhante ao pássaro que metido numa gaiola, durante muito tempo, ao ser posto em liberdade, esta se converteria na sua própria destruição. A questão, neste caso tem a ver, simplesmente com o facto de que a santificação do sábado, não é uma separação de um tempo, servindo-o como se de um deus se tratasse, mas acima de tudo é o tempo feito por um encontro criador muito intenso com Deus. Para Deus, após a criação externa no homem, seria a vez, da Divindade criar o mundo mais importante, que é o seu interior e, isso foi feito no sábado. Deus é constante criação e, mesmo o próprio Cristo referia, que no sábado também Deus trabalhava. Então, Deus dá o exemplo ao contrário para o homem, dizendo que ele parasse de trabalhar, quando a Divindade continuava a trabalhar? A referência aqui, dizia respeito e, continua a ser, não as actividades, mas acima de tudo ao universo do trabalho. O sábado, refere-se à continuidade e, principalmente à intensidade da criação não no exterior, mas sim no interior dos seres criados, ou seja, põe-se em destaque os encontros intensos entre criador e criatura, com vista à semelhança a partir das imagens divinas.
Os momentos do sábado são momentos designados por Deus para o encontro espiritual mais intenso que o ser humano tem, para que este conheça e desconheça cada vez mais a Deus, na sua simplicidade e complexidade. Ao aceita-lo, esses encontros, influenciam os encontros durante a semana com Deus, em que se espalha a sua influência nas mais variadas perspectivas externas do ser humano, em relação à sua vida. Assim, o sábado se torna a fonte que santifica toda a semana, na progressão do ser humano em relação à semelhança e imagem de Deus. Se por um lado, o sábado, se torna num encontro, que influenciará outros encontros durante a semana, assim, também os encontros semanais com Deus, desafiam o ser humano para que este encontre em Deus no sábado, aquele momento em que as liberdades criativas de Deus, tornarão possível, cada vez mais o ser humano se aperfeiçoar na unidade e igualdade do Deus Triúno. Mas questiona-se: não poderia Deus fazer isso tudo durante a semana? Porquê um ciclo periódico de tempo? Porque simplesmente a criatura é ela própria uma limitação, que só se torna ilimitada, quando associada a um Deus eterno e infinito. A porta de entrada e saída das características de Deus a que o ser humano se pode associar na sua diversidade criativa, são oferecidas na chave da liberdade do tempo dos encontros, em que se processam as transformações. Assim, o tempo humano, só se torna eterno e infinito, quando em liberdade vai com a chave aceitar o encontro em que a par com Cristo humano e divino, se integra e participa num passado, presente e futuro, que se liga às criações eternas e infinitas de Deus.
Mas tudo isto não parece uma fórmula mágica, em que o sete parece ser o código de entrada? De forma alguma. Toda a relação com Deus é feita com palavras, ou símbolos, mas não são estas que tornam Deus, uma realidade transcendente. Bem pelo contrário, os símbolos só tem significado, porque a Divindade está presente perante a simbologia designada, tornando-a então sagrada. O sagrado não faz Deus, a Divindade é que caracteriza e possibilita a existência do sagrado no homem e no Universo. O sábado tem os seus formalismos e, só a partir do momento em que o ser humano os aceita, não somente como fórmulas, mas como sinais, que possibilitam o relacionamento com Deus, então está na sua liberdade aceita-los e viver esse encontro com a Divindade. Em suma, a chave é dada a todos, mas o momento só é sagrado na sua intensidade, eternidade e infinitude criativa, quando há a opção de a meter na fechadura da porta de Deus.
2. SÁBADO DE DEUS NA CRIAÇÃO NAS SUAS CRIATURAS
Todos os actos criativos de Deus, só são aceites se houver encontros intensos, que proporcionem um balanço daquilo que Deus fez, que originarão após tal, momentos em que a aceitação (fé) desabrocha no homem a nível interior e exterior, a sua presença e, a transformação humana da semelhança de Cristo. A constância da criação de Deus no homem, passa por ciclos contínuos de intensos encontros, seguidos de momentos presenciais, que se expandem para o exterior, através do testemunho.
O sábado é sempre uma criação do tempo, em que Deus se relaciona com as suas criaturas no geral e, em especial com a sua imagem e semelhança que é o homem. Neste tempo se distingue a sua identificação, as suas ideias e actividades, as necessidades e problemas, a eternidade e juízo e, a felicidade. Em relação à identificação, é no sábado que tal acontece e, quando se rejeita o sábado, procura-se o caos, ou o nada, ao invés de um pleno relacionamento com o ambiente e o seu autor. Assim, o sábado não é mais um dia, mas é acima de tudo, o dia em que a existência de Deus vem ao encontro do homem e, este em liberdade pode aceita-lo.
3. SÁBADO E CRIAÇÃO
Deus identifica-se como criador e, age como tal nas dádivas da verdade (concretização real em liberdade), do amor (estando nas suas criaturas e, ligando-se nelas) e da vida (existência humana). O Sábado é o elo, em que todos os actos criativos de Deus, não somente se fazem lembrados, mas em que os do futuro estão ao alcance humano em Cristo. Assim, todos os actos de Deus, tais como a criação, a libertação, a justificação, a redenção, a santificação, a segunda vinda e, a ressurreição, entre muitos outros, podem ser vistos na sua essência como actos criativos, a partir da essência da eternidade de Deus (outra dimensão). Ou seja, o sábado é momento da acção de Deus para o homem, em que existe uma maior aproximação, para além daqueles encontros, que já existem.
No sábado, para além da ,referência das actividades, distinguem-se as ideias e, os pensamentos de Deus, extremamente contínuos e realizáveis em termos de criação. Este tempo santo, devido à presença e relação com Cristo, torna possível o desafio da própria criação, em inovar e, ao mesmo tempo em continuar com o que já foi criado. Começa-se a distrinçar nas ideias o conceito de eternidade e de infinito.
4. JESUS CRISTO, O SÁBADO, A CRIAÇÃO NAS NECESSIDADES E, AS INSTITUIÇÕES / ORGANIZAÇÕES HUMANAS
Três acontecimentos importantes se deram no dia de sábado, na peregrinação encarnadora de Cristo: o seu sepultamento, a fome e, os milagres. Por ser sábado, Cristo ressuscitou só no dia seguinte. Quanto à fome e, aos milagres, Cristo enfatizou, que as necessidades básicas, são para ser satisfeitas, desde que isso não embarace, a comunhão do encontro de Deus com as pessoas, que são mais conhecidas como Igreja. Em suma no sábado, a criação no homem e no ambiente, mesmo que distorcida pelas consequências do pecado, não vai contrariar-se a si própria (a Deus neste caso), naquele que é o encontro, que potencia ainda mais a capacidade criadora das criaturas, a partir da Divindade Triúna. A interpretação humana e, falível, extrema fanaticamente este relacionamento, perdendo-se de vista a Deus Triúno, quando este, é o momento em que se distingue mais a Divindade, sem deixar de ver o que se passa ao redor e, agindo-se nesse sentido. As duas realidades, contemplam-se e, complementam-se em combinações que propiciem cada vez mais a harmonia entre a realidade humana e Divina de Cristo.
Há três tipos de decisões perante o sábado: ou se rejeita a Deus, ou se mistifica a Providência fanatizando-o, ou se aceita o relacionamento em Cristo para com as necessidades humanas. O sábado é o tempo em que se distingue em cada um a Cristo, quando se considera a vida, a morte e, a ressurreição de Jesus. Se no sábado, não se distingue a nova vida de Cristo para o ser humano, então este tempo não é vivido de acordo com Deus.
5. SÁBADO NOS FINAIS DOS TEMPOS E A ETERNIDADE DO DIA DE CRISTO
A questão principal, que se levantará no final dos tempos, tem a haver com a aceitação da criação da nova criatura em Cristo e, da sua Nova Terra, em que os encontros serão ainda mais intensos. Ou seja, o significado criacional do sábado, tornar-se-à cada vez mais um sinal de reinvidicação da Nova Terra, considerando o que já foi criado por Deus. Isto é, no final dos tempos o povo de Deus, perante o fecho das portas da graça e na eminência da segunda vinda de Cristo, em relação à maior parte da sua fé, estará virada para o dia do encontro e da eternidade de Jesus Cristo, que se iniciará com o glorioso advento. Estes tempos serão muito difíceis, devido ao facto das ideologias e exemplos veiculados, pôrem em causa individualmente e colectivamente a existência de Deus e, da própria humanidade. Todas as perguntas de cepticismo, que o mundo e as igrejas põem, em relação a Deus, pode ser devido também ao testemunho que cada crente dá e, para também influencia-los a pôr em causa a existência, os testemunhos e, os encontros com Cristo. Assim, instalar-se-à o conflito, no mesmo nível em que se adora a Deus no sábado. A proporção será directa e, o sábado se transformará num tempo em que a fé do povo de Deus, não será somente um testemunho de demonstração de fé, mas principalmente o momento em que se põe também em causa, questionando o mundo, sobre as razões de não aceitar a criação contínua de Deus, que se intensificará com a presença do Deus-homem Jesus Cristo. Ou seja, o sábado deixa finalmente de ser só um dia encontro espiritual, para se tornar no dia em que a visibilidade de Cristo, vence pela sua criação a morte e, possibilita o ritmo de transformação semelhante ao do Deus Triúno, em que a eterno é a realidade ao dispôr do homem em Cristo.
6. A FELICIDADE, A JUSTIÇA E O JUÍZO DA CRIAÇÃO NOS MOMENTOS DO SÁBADO DE ACORDO COM O LIVRO DE SALMOS
O livro de Salmos, parece ser o livro em que mais se põe em questão a Deus, de forma sincera e verdadeira e, ao mesmo tempo, é também onde se encontra os maiores significados sobre a justiça e o juízo de Deus. O maior desses significados é a expressão de prazer, que o crente encontra na alegria e felicidade com Deus. Poder-se-á ter essas mesmas expressões, ou sentidos, em relação aos encontros do sábado, no contexto das criações de Deus? O que isso significará?
Jesus Cristo alegra-se (assim como o fez quando em pergrinação nesta Terra), principalmente quando vê o fruto do seu trabalho. Assim, a alegria pode ser considerada, como o prazer do amor, verdade e vida de Deus, que o crente em Cristo aceita pela fé, concretizar na sua vida, em pleno testemunho. Isto, não só diz respeito às vitórias, com Deus ao seu lado, como também representa a expressão fidedigna, de se repetir e, com mais intensidade no futuro de hoje e, do além. Mas será que o ser humano, procura essa felicidade ao lado de Deus? Será que o indivíduo aprecia reinvindicar o que quer que seja da Divindade, como fizeram as filhas de um determinado crente, no tempo de Moisés, em que Deus lhes deu razão? Ponha-se de lado a ideia, que as reinvidicações provêm de um espírito humano esclarecido e, não do próprio Deus no ser humano, que luta com este, para que se aproxime cada vez mais do seu criador, do próximo e, do ambiente. Não é de estranhar pois, que perante as consequências do pecado e da verdade, o ser humano se confronte com o juízo perfeito de Deus, em que se escolhe, ou não, a continuidade da companhia da Divindade Triúna. Isto significa, que o homem, não se alegra somente com as escolhas, que em plena liberdade faz em Cristo, para se libertar pela criação da morte, do caos, ou do vazio, mas principalmente, tem prazer em se dirigir no sentido das criações infinitas e eternas de Deus no além sem fim. Assim, a harmonia, ou a paz com Deus, é sempre um inconformismo de constantes e perfeitas criações e, ao mesmo tempo o gozo de as viver, em sequentes e mais profundas progressividades, desde o nada, ou o pó, a que Deus transforma desde a sua infinita eternidade. A morte neste tempo, não é um limite, mas o momento em que com Cristo se escolhe ultrapassar com alegria, a destruição, com a a continuidade da nova vida que se cria com o Deus triúno.Assim, no sábado Deus, tem o prazer de partilhar a alegria e paz com o ser humano em Cristo, das várias transformações contínuas e eternas, que propiciaram do nada, ou do caos do Universo, a semelhança que tem preenchido o Cosmos com a Felicidade e Paz da sua infinita essência de amor, em ser criador.