- HISTÓRIAS DE EMIGRAÇÕES E ÊXODOS BÍBLICOS NA PROCURA DA NOVA TERRA E, AS IGREJAS CRISTÃS NA ACTUALIDADE
A Bíblia é também a história do povo de Deus, em constante emigração, ou êxodo, ou em fuga, para uma Nova Terra, onde um dia lá, poderá encetar na liberdade de Cristo, por viagens de eternidade em eternidade, no mais além da Divindade.
Sobressai nas palavras das Sagradas Escrituras, que os crentes, enquanto viverem nesta terra serão sempre peregrinos. De acordo com a palavra de Cristo, estão neste mundo, mas não são do mundo. Nesta terra, não se é permitido ter raízes e, nem muito menos existem providências terrenas, para a durabilidade de quem quer que seja, ou “para ficar como semente”, como diz o cidadão Lisboeta. Os dias são um contínuo encontro entre a morte e, a vida, sem proporcionar qualquer tipo de duração, que não seja sustentado por novas gerações (se no entretanto não acontecerem eventos, como o homicídio, a guerra, ou um desastre de textura poluidora, ou sócio-económica, ou tecnológica, ou geográfica, ou cósmica, ou global, que esvaziem a face desta Terra de qualquer tipo de existência viva).
A mais importante emigração individual em termos de fé, foi a de Abraão, seguida pelos movimentos de massas organizados por Deus, que aconteceram no Êxodo de Israel e, nas Igrejas cristãs, até à sua aparente estabilidade no seio dos Estados-Nações. Embora as igrejas cristãs sejam reconhecidas, na maior parte das vezes de forma efémera nos países, continuam a aparecer novas formas de conflitos e sua intensidade aumentou (são também sinais dos fins dos tempos), associados sempre ao problema de não se aceitar a Deus (a esta situação se dá também o nome de pecado). A rejeição para com Deus, gera sempre em primeiro a falta de liberdade, ou escravatura, seguida pela mentira, ódio, violência, sofrimento, isolamento morte, vazio e, inexistência. Em suma, a mudança, ou fuga para algum lado, onde haja paz e eternidade, longe do pecado e perto de Deus, é uma das maiores necessidades humanas. Em Cristo, a fuga humana de si e de Deus, transformou-se no regresso à casa da Divindade Triúna, ou seja à Nova Terra.
Não será a profecia de Deus dada em Daniel 12:4, “E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo: muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará”, uma maneira de dizer que a humanidade cada vez mais emigra, ou se muda com malas e bagagens até à exaustão, para resolver os seus problemas espirituais, racionais e materiais, resultando às vezes dessas emigrações e fugas para a frente, um maior conhecimento das profecias e da ciência? A globalização já se instalou e, veio para ficar e, algumas igrejas continuam a deixar passar de lado todo este processo, em que os transportes, as comunicações, o mundo virtual, os movimentos, o individualismo, a proliferação de ideias e das promiscuidades e, as mudanças rápidas são no mínimo, do conhecimento de Deus, ou não seja Ele, o criador de novos universos e, de ilimitadas fronteiras. Ainda se vive, em determinadas igrejas, somente fixadas às terras espirituais, feudais, insulares e isolacionistas e, isso na mais simples e sensata interpretação, é a catástrofe e tristeza. Seria muito produtivo, que se lesse atentamente Hebreus 11 e, que se ponderasse com o Espírito Santo em oração, que a tal mensagem do “Ide” de Cristo em S. Mateus 28:19, é também um incentivo à procura de novos horizontes, em direcção à Nova Terra e, não somente a missão programática de preencher números, com o sentido só de acelerar a vinda de Cristo (ou vice-versa). Haverá, pelo menos uma só solução neste tipo de relacionamento, em que as igrejas se deviam mobilizar, ao invés de nem sequer falar nas suas doutrinas principais? Há muitas soluções e razões, mas há essencialmente duas causas, que se evidenciam para não se aceitarem as mudanças e, que são: o conformismo ou mornidão aos hábitos terrenos e, principalmente a formação de uma cultura, entrosada em alguns crentes, que julgam erradamente serem os mais beneficiados com as estagnações espirituais ao seu redor. A questão principal no entanto é a seguinte: como mudar este tipo de relacionamento? Só de uma maneira: andar com Cristo. Não é estranho que Enoque, descrito em Gênesis 5:24 e Hebreus 11:5, chegou ao ponto em que já não era somente ele, que queria ir com Cristo, mas principalmente Deus que gostava de estar com este sujeito humano mais perto de si. E sabe-se, quando Deus ama alguém, o que vai acontecer?
O processo de emigração, ou de êxodo espiritual que normalmente os crentes experimentam, em direcção à Nova Terra só resulta, quando associado a Deus, porque senão, os cristãos ao longo dos séculos, não seriam mais do que uns oportunistas egoístas, como outros tantos à procura da sua quimera, ou não passariam de enganados num labirinto que conduz a um ilusório El Dorado. Por vezes, até parece que Deus têm prazer em atrasar a vinda da Nova Terra! Ou, será isso tudo uma utopia? Ou não será, que o ser humano está a atrasar o plano de Deus por abusar da sua misericórdia, quando os sujeitos se deixam arrastar vezes sem conta e, inexoravelmente para o abismo da morte, que se esconde atrás da falsa imortalidade, que é escolhida abundantemente pelo homem na ilusão da liberdade eterna? Ou não será, devido aos enganos da ilusão do mal, que os novos caminhos passam despercebido a quem quer que seja, devido a falsidade se misturar abundantemente com o pouco bem, que ainda existe nesta Terra?
Não se procurem respostas, sem se saber fazer as perguntas adequadas, que sejam fruto da percepção e reflexão que o Espírito quer dar. Os movimentos religiosos e espirituais, quando criados por Deus, geram acções e ideias humanas que estão constantemente a acompanhar as acções e a presença da Divindade e, nunca são o resultado somente de uma ideia humana. As igrejas cristãs com o Espírito Santo (único representante de Cristo nesta Terra) e, os dons facultados aos crentes, têm capacidade de desenvolver as suas próprias experiências interiores e, conjuga-las com as movimentações externas de testemunho em plena diversidade no mundo desta Terra, para que se concretizem novas criações de liberdade, em direcção à segunda vinda e, à Nova Terra. Será insuficiente, as instituições cristãs julgarem que a sua génese e origem se mantém em Status Quo, para apontar sempre o caminho, sem conseguirem mudanças em direcção às contínuas criações e, para ultrapassar obstáculos. As mudanças espirituais existem, porque Deus cria os seus planos, que possibilitam novas manifestações e progressões de espiritualidade, sem se desviar em nada, daquilo que é a sua directriz para a salvação, que são as acções e palavras de Cristo descritas na Bíblia. Em suma, assim como Deus tinha delineado o plano de salvação para Israel, através do seu êxodo, o mesmo se passa agora em pleno tempo de globalização. Isto significa, que a mensagem espiritual provinda de Cristo, é sempre a direcção apontada e, também é o caminho para os movimentos espirituais individuais e globais (Hebreus 11:13-14), no sentido para a Nova Terra.
As promessas proféticas dos actos de Jesus Cristo, tais como a sua gloriosa segunda vinda, com a ressurreição dos mortos e, o milénio na Nova Jerusalém com os salvos e a Terra completamente destruída com Satanás a vaguear pelo que restar deste planeta já sem vida, assim como a sua Terceira Vinda, com a instauração do juízo e, a criação da Nova Terra estão descritas em Apoc. 19 a 22. A questão espiritual que se evidencia é esta: que vantagens e impactos têm estas mensagens na vida do crente? Há muitas respostas, mas há duas que se evidenciam: em primeiro o cristão que aceita pela fé a Deus, viverá eternamente a concretização da Nova Terra com Cristo e, em segundo não andará a vaguear sem sentido nesta Terra. As mudanças e inovações, que se concretizam a partir das mensagens que se aceitaram e, que mobilizam constantemente os crentes em constantes mudanças à procura do melhor de Deus, em direcção à Nova Terra, estarão sempre ligados aos actos criativos e eternos provindos de Cristo e, não se estagnarão e, nem se destruirão, conforme o sabor de alguns…
2. AS PROMESSAS E A VIDA DE JESUS CRISTO EM RELAÇÃO À NOVA TERRA
A maior promessa de Cristo sobre a nova Terra vem expressa em S. João 14:1-4. Outras passagens vêm consolidar as promessas numa Nova Terra, tais como as de S. Mateus 24 e, principalmente as de Apocalipse 20 a 22, que se conjugam perfeitamente com as de Isaías 65:17-25 e Hebreus 11. Jesus Cristo sempre foi um peregrino, quer como resposta e aceitação a Deus na procura das suas liberdades, quer como testemunha e salvador dos sujeitos à sua volta, para a Nova Terra na qual será criador. Portanto, em face do exemplo de Cristo, o movimento espiritual de qualquer criatura, deve-se à aproximação de Deus e, ao mesmo tempo ao testemunho para com os seus semelhantes num espaço, que vai sempre variando para melhor na eternidade infinita do Criador. Em suma, a peregrinação é caracterizada, não só porque há a aproximação de Deus, como ao mesmo tempo há um acompanhamento constante em relação à Divindade Triúna. O crente não anda a passear erradamente, ou aleatoriamente, como se estivesse ao sabor do caos, ou de forças que têm objectivos destrutivos. O cristão segue em liberdade, o único caminho que é percorrido por Cristo Divino e Humano, em direcção a espaços onde se possa desenvolver ainda mais, os relacionamentos da criação de mais vida, com o seu criador e, o universo. Mas a questão pertinente impõe-se: para quê todas estas contínuas peregrinações? Como tirar partido na vida de um lado para o outro, sem se enjoar ou, sem se perder, tal como é indicado por Deus em Cristo?
3. A NOVA JERUSALÉM APÓS A SEGUNDA VINDA DE CRISTO
Após a segunda vinda e, a ressurreição (de todos os que acreditaram e viveram com Deus até morrer, ou dos que até assistiram com fé ao seu regresso), a viagem do crente vai na direcção da Nova Jerusalém. Para quê esta viagem à cidade de Deus? Porquê, que a partir da segunda vinda de Cristo, se inicia a fase de viagens da humanidade com Deus, em todo o Universo?
De acordo com o relato Bíblico em Apocalipse 20:4, após a segunda vinda de Cristo, serão passados 1000 anos, em que decerto se vai conhecer mais de Deus, tanto colectivamente, como individualmente, em relação às suas justificações e criações universais. Durante esse tempo, também se aceitará e se experimentará o modus vivendis de Cristo, em que a sua presença humana e Divina, será a fonte eterna da existência humana, através da liberdade criadora definitiva para e, entre os crentes. Há também um testemunho a ser dado em viagens no Universo de Deus, que se manteve estranho, invisível e distante devido aos limites do pecado, a não ser em contacto espiritual através de Jesus. É esta a altura da concretização da visibilidade e, conexão sem fronteiras, com pleno sentido de harmonização e progressão. Mas uma das questões principais nesta fase, ainda perdura: como encarar o juízo de Deus Triúno, para os que escolheram a morte da rejeição para com Deus? A Nova Jerusalém, é o espaço em que Deus se justifica universalmente em plenitude da sua redenção, na existência e comunhão dos que o aceitaram. E os que não aceitaram, o que fazer com eles perante o Universo? Terá bastado para o Universo e Deus, o facto de Satanás e seus anjos terem ficado presos na Terra durante mil anos, após a ressurreição e ascensão dos crentes e, depois da morte dos que não aceitaram a Deus, tal como vem tudo isto descrito em Apoc. 20:1-6? Mas depois, o que acontecerá? De novo vai haver, conforme a Bíblia, nova mudança, e será concretizada a criação da Nova Terra. Mas será definitiva, ou haverá mais qualquer coisa para além da sua edificação constante? Note-se que as criações constantes de Deus, têm sempre por fundamento o conhecimento mais aprofundado sobre a associação da Divindade e da Humanidade, ou a relação entre criador e criatura. Só desta maneira é que Deus se torna conhecido e, se relaciona continuamente em criações, no absoluto incomensurável e desconhecido infinito, que é na eternidade acessível a todas as criaturas, com quem aceitam identificar-se.
4. A NOVA TERRA APÓS A TERCEIRA VINDA DE CRISTO
A Terceira Vinda de Cristo à Terra, que se encontra completamente destruída e sem vida, será concretizada essencialmente por quatro eventos importantes (Apoc. 20 a 22) criados pelo Messias e, que são:
1.º - Descida da nova Jerusalém em conjunto com os salvos e o próprio Jesus Cristo na sua humanidade e Divindade.
2.º - Ressurreição dos iníquos.
3.º - Reacção e juízo do próprio Deus, dos salvos, dos iníquos, de Satanás e do restante Universo.
4.º - Criação da Nova Terra.
A principal questão, ou mensagem para esta nova movimentação de massas, está em saber se a Lei de Deus (expressa nos Dez mandamentos e, na vida, morte e ressurreição de Cristo), ou seja, se o todo e, tudo o que Divindade é, o que foi e, o que será, se é aceite, ou não, pelos vários intervenientes envolvidos. Na aceitação, ou resposta à liberdade de vida, vem também o juízo, ou seja as consequências, ou a concretização do que se escolheu em liberdade para com Deus. Ao dar-se a criação da Nova Terra, todo o universo em geral e, os seres humanos em especial decidiram, ou pela vida proveniente das criações e mudanças constantes com Deus, ou pela morte, que é o vazio inexistencial, por se rejeitar a Divindade, em Jesus Cristo. Não está em causa somente os iníquos, os salvos e, Satanás com os seus anjos. Tudo e todos estão em causa, pois só assim se consegue a perfeição do Juízo do próprio Deus. O Juízo de Cristo, começa na total liberdade de escolhas e, nas capacidades de concretização de cada ser em causa, incluindo a Divindade. Não é fácil entender este aspecto, em que há valores concedidos a custos infinitos, como a própria morte e ressurreição de Deus em Cristo, que possibilitam não só a concretização da formação do caos, que se escolheu, como a própria criação a partir do vazio, mas que só são alcançáveis pela própria Divindade e, os que se associam a Ele na coexistência do ser na fé. Assim, é vulgar haver dois erros (que poderão talvez serem inocentes, mas que não serão de certeza naifes), que superabundam na interpretação desta nova Terra e, que são:
- Olhar para a Nova Terra como um prémio, de um bom comportamento.
- Ver na Nova Terra um sítio de ociosa paz.
A Nova Terra é a continuidade de relacionamentos, em que Deus está em constante criação com o homem e, nela haverá eventos, que ultrapassarão a imaginação humana, ou não fora Deus, não somente um criador de novos espaços, mas também um construtor de novos desafios, que o façam coexistir cada vez mais com as suas criaturas. Esta coexistência definitiva acontecerá constantemente, por Deus se dar a conhecer com mais intensidade, a partir de inúmeras viagens com as suas criaturas, até ao seu cerne de essência eterna e infinita, que se expressa nas criações dos inúmeros universos e dimensões. Não é por acaso que Deus, ao contrário da Nova Jerusalém, cria a Nova Terra com a presença e colaboração de todos os salvos humanos, significando que o Divino e o Humano conhecem o bem e o mal, mas só escolhem a dádiva boa da liberdade das criações de Deus em Jesus Cristo. Assim, de forma definitiva, deixará de haver fugas, emigrações e êxodos e, o prazer de Deus na Nova Terra será o de criar nela com os crentes, os pontos de partidas e de chegadas, para infinitas e eternas viagens nas suas liberdades criativas em Jesus Cristo no seu Universo, em imparáveis transformações e, crescimentos de perfeição.